Uns dormem, outros trabalham


“Por que estais dormindo? Levantai-vos e orai, para que não entreis em tentação” (Lucas 22:46)

No jardim das oliveiras, enquanto Jesus se angustiava com o sacrifício que estava chegando, seus discípulos dormiam. Como deveria estar o coração do Senhor, sabendo de tudo que Ele teria que passar nas horas que se seguiriam com a chegada de seus inimigos? Aflição, ansiedade, tormento e agonia eram os sentimentos de Jesus naquele momento; sinônimos de sua angustia. Talvez o momento mais difícil de sua passagem aqui na terra, por ter de tomar uma decisão que simplesmente o levaria para a morte. Jesus estava desapontado, mas Ele buscava forças na oração num lugar chamado Getsêmani (Mateus 26:39-46).

Quais as opções que Jesus tinha ao seu dispor? Pelo seu compromisso com o Pai, Ele não podia adiar sua decisão. A procrastinação não tinha lugar na vida de Jesus aqui na terra. Suas decisões pediam urgência de sua parte. O pecado da procrastinação tem consumido a vida de milhares de pessoas no mundo e precisa ser diferente na vida do cristão. Será que temos adiado compromissos com o Senhor e a sua obra? Jesus tinha pelo menos três opções e duas delas eram de procrastinação: 1 – usar seu poder para banir os homens que chegavam para lhe prender; 2 – Ele poderia fazer sua vontade na carne e sair dali indo para outro lugar onde o traidor não conhecia, afastando assim aquele cálice de sofrimento; e 3 – se entregar para cumprir a vontade de seu Pai. Sabemos que ele optou pela melhor decisão, mas a pior parte. A negligência de seus discípulos não o desculparia do dever para com Deus. Mesmo quando todos os homens o abandonaram, seu Pai ainda cuidava dele e enviou-lhe forças.

Enquanto alguns “dormem”, outros trabalham arduamente para que a obra de Deus não pare. Será que temos negligenciado nossos deveres como cristãos? Uma nova vida nos chama, e precisamos impedir que velhos hábitos nos dominem novamente. Deixemos as críticas, murmurações e sigamos a vontade de Deus. Não deixemos que a preguiça, o desânimo, o cansaço, o desmazelo e a falta de compromisso tomem conta de nossas vidas. Não podemos ser “cristãos” ocasionais. 


Os discípulos de Cristo são chamados a deixarem suas paixões, desejos e vontades para servir integralmente ao Senhor; assim como o apóstolo Paulo considerou como refugo tudo o que tinha ou era por causa de Jesus (Filipenses 3:8). Não usemos nossa criatividade para dar desculpas e justificativas intermináveis, mas a usemos em prol da obra do Senhor. A pior parte podemos pegar agora (oposição, tribulação e perseguição pela fidelidade a Cristo), mas é a melhor decisão, pois “quem quiser preservar a sua vida perdê-la-á; e quem a perder de fato a salvará” (Lucas 17:33).
 Podemos, às vezes, estar desapontados quando outros não nos dão encorajamento, mas as suas falhas não é uma razão para nos afastarmos de Deus. Não afastemos da comunhão com Cristo por motivos banais como fazem alguns. Qualquer motivo é uma justificativa para deixar o Senhor. Que enfrentemos os desafios de frente e procuremos resolvê-los com a ajuda de Deus e de nossos verdadeiros irmãos. Precisamos tomar atitudes corajosas como a de procurar aquele irmão que nos magoou ou que magoamos, para acertar as contas com ele antes que o sol de ponha (Efésios 4:26). Com certeza Jesus optaria pela melhor decisão, mas a pior parte nestas situações apresentadas.

As perguntas que deveríamos fazer-nos agora são: o que estou fazendo de concreto para o Senhor? Com o que estou envolvido, ou melhor, compromissado na Igreja e com Deus? Estou sendo servido pela Igreja, ou estou servindo-a? Eu tenho cooperado com o trabalho do Senhor? Eu tenho incentivado os irmãos ao continuarem firmes no caminho? Precisamos ser diligentes no serviço do Senhor (1 Timóteo 4:13-16). “O preguiçoso deseja e nada tem, mas a alma dos diligentes se farta” (Provérbios 13:4).

Somos peregrinos em terra estranha e a terra prometida nos espera (Filipenses 3:20). Procuremos conforto em Deus, mesmo quando todos, aparentemente nos abandonarem.  Mesmo que ninguém queira cumprir a obra de Deus corretamente, cumpra! Mesmo que todos fiquem contra você, faça o que é certo diante de Deus! Não se preocupe em ser popular dentre os homens, pois os reis, profetas, apóstolos, discípulos do Senhor e até mesmo Jesus foram perseguidos, desprezados, açoitados e mortos por causa de sua fé e obediência a Deus. Passaram por tudo isso porque decidiram agradar ao Senhor ao invés de agradar aos homens.

Concluindo, o sábio diz em provérbios 17:3: “o crisol prova a prata, e o forno, o ouro; mas aos corações prova o SENHOR”. O que é um crisol? Crisol é um cadinho, um vaso metálico ou de material refratário, utilizado em operações químicas a temperaturas elevadas onde os elementos se misturam ou se fundem. O que é um forno? Forno é um aparelho com o qual se procura atingir temperatura elevada, mas que varia de acordo com o fim a que se destina. Quem é o Senhor senão Deus e criador de todas as coisas. Aquele que é onipotente, onisciente e onipresente; atributos da divindade de Deus. Aquele que sabe todas as coisas; pode todas as coisas e está em todo lugar. Nossos corações são provados é por Ele a cada dia. Que nesta prova diária, o Senhor nos encontre trabalhando em prol de sua obra e não dormindo ou cochilando como muitos. “…quando vier o Filho do Homem, achará, porventura, fé na terra?” (Lucas 18:8)

Meditação – Mateus 5:43,44

Amai vossos inimigos

“Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem…” (Mateus 5:43,44)

 

“A letra mata, mas o Espírito vivifica” (2 Coríntios 3:6b). A lei revela nossa culpa (Romanos 3:20), a graça, a remissão de pecados (Romanos 3:21-24). Pela lei, todos nós estávamos condenados (Romanos 8:3); pelo Espírito vem a salvação (Romanos 8:4-6).

A lei não mandava odiar os inimigos, mas foi corrompida – como muitos outros preceitos divinos – pelos mestres de Israel e tradições farisaicas, odiando e mandando odiar: “Ouvistes que foi dito”. Porém pelo contrário, a graça através do Espírito de Deus, manda amá-los: “amai os vossos inimigos”.

Que drástico contraste esta passagem nos revela. Jesus nos desafia a fazer algo que vai contra a natureza humana. A “lei” humana é odiar aqueles que nos fazem mal, aqueles que nos perseguem, aqueles que são declaradamente nossos “inimigos” – Fariseus e mestres da lei compartilhavam desta “lei”, pervertendo e contrariando a vontade de Deus (Levítico 19:18). Tal “lei” humana “cai como uma luva” nas mãos daqueles que alimentam o ódio, o rancor e a amargura.

Jesus foi odiado e perseguido pelos fariseus e mestres da lei. Declaradamente, eles eram seus opositores; seus inimigos. O Senhor recebeu este tratamento de seus “irmãos” judeus, por causa de seu testemunho em favor da vontade de Deus. Ele não recuou ante a opressão dos homens, satisfazendo a vontade deles. Na cruz ele orou: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lucas 23:34a).

Se permanecermos defendendo a fé verdadeira com um testemunho pessoal irrepreensível, é bem provável que teremos por inimigos ou opositores aqueles que não querem servir a Deus em toda verdade. Nesses momentos é que precisamos deixar que o Espírito Santo nos guie a agir como Jesus, amando e orando por aqueles que se opõem a nós. Amemos ao invés de odiar; oremos ao invés de maldizer. Amar é agir em benefício dos outros; orar é interceder em favor deles.

Qual é a verdadeira igreja?

Jesus

A verdadeira igreja é aquela estabelecida por Jesus Cristo através de seus apóstolos. A igreja do Senhor Jesus foi estabelecida durante a festa judaica chamada Pentecostes – ou festa da colheita – festa que era comemorada pelos judeus cinqüenta dias depois da páscoa.

 

Jesus já havia prevenido o apóstolo Pedro sobre Sua igreja; veja: “Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mateus 16:18). Pedro foi o apóstolo que levantou a questão após a ressurreição do Senhor. “Naqueles dias, levantou-se Pedro no meio dos irmãos e disse: Irmãos, convinha que se cumprisse a Escritura…” (Atos 1:15,16a). Os discípulos reunidos ali, receberam do céu, poder para começarem seu ministério. “Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; de repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados. E apareceram, distribuídas entre eles, línguas, como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem” (Atos 2:1-4).

 

Há uma confusão enorme em relação a essas línguas – alguns interpretam como línguas estranhas; outros como línguas de anjos; etc., – mas na verdade eram línguas inteligíveis, porém, de outros povos que vieram de diversos países para a festa em questão; veja: “Ora, estavam habitando em Jerusalém judeus, homens piedosos, vindos de todas as nações debaixo do céu. Quando, pois, se fez ouvir aquela voz, afluiu a multidão, que se possuiu de perplexidade, porquanto cada um os ouvia falar na sua própria língua. Estavam, pois, atônitos e se admiravam, dizendo: Vede! Não são, porventura, galileus todos esses que aí estão falando? E como os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna?” (Atos 2:5-8). Exemplificando é como se estivemos no Brasil num grande evento e viessem americanos, alemães, italianos, japoneses e etc., e cada um pudesse entender em suas línguas maternas o que vários pregadores estivessem falando, cada qual em sua própria língua.

 

Pedro e os demais apóstolos então se levantaram e começaram a pregar as boas novas. “ Então, se levantou Pedro, com os onze; e, erguendo a voz, advertiu-os nestes termos: Varões judeus e todos os habitantes de Jerusalém, tomai conhecimento disto e atentai nas minhas palavras… Jesus, o Nazareno, varão aprovado por Deus diante de vós com milagres, prodígios e sinais, os quais o próprio Deus realizou por intermédio dele entre vós, como vós mesmos sabeis;  sendo este entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos; ao qual, porém, Deus ressuscitou, rompendo os grilhões da morte; porquanto não era possível fosse ele retido por ela” (Atos 2:14, 22-24). Os apóstolos então declararam aos judeus que Jesus era o Messias esperado por eles: “Esteja absolutamente certa, pois, toda a casa de Israel de que a este Jesus, que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo” (Atos 2:36).

 

Os judeus atormentados e aflitos perguntaram aos apóstolos o que precisariam fazer para reparar o erro cometido; quando o apóstolo Pedro tomou a frente mais uma vez e respondeu que só por meio do arrependimento e batismo poderiam ser salvos da condenação; veja: “Ouvindo eles estas coisas, compungiu-se-lhes o coração e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, irmãos? Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo” (Atos 2:37,38).

 

Eles então foram acrescentados por Deus a igreja que estava nascendo, a igreja de Jesus – aquela que Ele preveniu a Pedro na passagem de Mateus – através do batismo. “Com muitas outras palavras deu testemunho e exortava-os, dizendo: Salvai-vos desta geração perversa. Então, os que lhe aceitaram a palavra foram batizados, havendo um acréscimo naquele dia de quase três mil pessoas” (Atos 2:40,41).

 

Agora como cristãos, viviam completamente diferente da vida que levavam antes; veja: E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos. Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade. Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos” (Atos 2:42-47).

 

Nesta descrição, confirmamos que a igreja foi estabelecida por Jesus Cristo através de seus enviados especiais – os apóstolos – que foram usados como instrumentos para colocar em prática o Seu plano e a Sua vontade.

– A verdadeira igreja é aquela que está fundamentada nas verdades do Novo Testamento e busca resgatar estes princípios. A doutrina que a igreja precisa seguir está toda registrada nas páginas do Novo Testamento e em nenhum lugar mais.

– A verdadeira igreja não precisa de credos ou preceitos humanos, pois ela é movida pela Palavra de Deus que é perfeita. “O amor jamais acaba; mas, havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, passará; porque, em parte, conhecemos e, em parte, profetizamos. Quando, porém, vier o que é perfeito, então, o que é em parte será aniquilado” (1 Coríntios 13:8-10).

– A verdadeira igreja tem no Novo Testamento – a nova aliança de Deus – sua autoridade e regra de fé. No Antigo Testamento – a antiga aliança de Deus – a igreja observa os princípios e preceitos para conhecer o caráter de Deus, Sua criação e profecias a respeito do Filho do Homem – Jesus, o Salvador.
Quando tentam unir as duas alianças, anulam o que Cristo fez, ou seja, estabelecer uma nova aliança de Deus com os homens. A antiga aliança teve o seu papel: “De maneira que a lei nos serviu de aio para nos conduzir a Cristo, a fim de que fôssemos justificados por fé. Mas, tendo vindo a fé, já não permanecemos subordinados ao aio (Gálatas 3:24,25). Ela serviu como um aio ou tutor – pessoa de confiança que cuida de uma criança, educando-a ou disciplinando-a até que ela atinja a maior idade – para levar-nos a Cristo. Cumprida a tarefa do tutor, não justifica continuarmos buscando a sua tutela, já que agora estamos sob a tutela de Cristo. Voltar à antiga lei é anular a graça de Deus dada em Jesus Cristo. “De Cristo vos desligastes, vós que procurais justificar-vos na lei; da graça decaístes” (Gálatas 5:4).

 

A verdadeira igreja obedece às ordens de Seu único Senhor porque o ama. “Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; ora, os seus mandamentos não são penosos” (João 5:3). Ela não desvia da vontade de Deus ou faz barganha para ganhar mais membros. “Porque nós não estamos, como tantos outros, mercadejando a palavra de Deus; antes, em Cristo é que falamos na presença de Deus, com sinceridade e da parte do próprio Deus” (2 Coríntios 2:17).

 

A verdadeira igreja é o corpo de Cristo, sendo Ele a Cabeça, aquele que guia, direciona e comanda o corpo. “Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia, porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude” (Colossenses 1:18,19).

 

A verdadeira igreja é a gloriosa noiva de Cristo, que Ele virá buscar para estar ao Seu lado eternamente. “…porque o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, sendo este mesmo o salvador do corpo. … Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito” (Efésios 5:23, 25-27).

 

A verdadeira igreja não se dobra ou se une a organizações humanas. “Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniqüidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas? (2 Coríntios 6:14).

 

A verdadeira igreja não é uma organização, mas um organismo vivo. “…vós sois corpo de Cristo; e, individualmente, membros desse corpo” (1 Coríntios 12:27).

 

A verdadeira igreja não escandaliza a sociedade com procedimentos vergonhosos e também não é uma entidade financeira, que só fala e pede dinheiro. “Se alguém ensina outra doutrina e não concorda com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo e com o ensino segundo a piedade, é enfatuado (soberbo; pretensioso), nada entende, mas tem mania por questões e contendas de palavras, de que nascem inveja, provocação, difamações, suspeitas malignas, altercações (provocar polêmica) sem fim, por homens cuja mente é pervertida e privados da verdade, supondo que a piedade (zelo e temor a Deus) é fonte de lucro (1 Timóteo 6:3-5).

 

Por fim a verdadeira igreja é aquela que faz a vontade de Deus, prega o evangelho, segue a verdade em amor e glorifica a Deus pelas suas atitudes e procedimento santo.

 

Louvado seja Deus pela Sua igreja gloriosa, busque-a e a achará!