Introdução:

1 Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, aos que conosco obtiveram fé igualmente preciosa na justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo, 2 graça e paz vos sejam multiplicadas, no pleno conhecimento de Deus e de Jesus, nosso Senhor. 3 Visto como, pelo seu divino poder, nos têm sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e à piedade, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude, 4 pelas quais nos têm sido doadas as suas preciosas e mui grandes promessas, para que por elas vos torneis coparticipantes da natureza divina, livrando-vos da corrupção das paixões que há no mundo” (2 Pedro 1:1-4).

Pedro iniciou sua segunda carta destacando o glorioso privilégio que foi dado aos cristãos. Através das preciosas promessas de Deus, podemos ser participantes da natureza divina, no sentido em que podemos ser santos como ele é santo, livres da corrupção do pecado: porque escrito está: “Sede santos, porque eu sou santo” (1 Pedro 1:16). Deus chama a todos através do evangelho para participarem de sua própria glória e virtude: “13 Entretanto, devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados pelo Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela santificação do Espírito e fé na verdade, 14 para o que também vos chamou mediante o nosso evangelho, para alcançardes a glória de nosso Senhor Jesus Cristo. 15 Assim, pois, irmãos, permanecei firmes e guardai as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa” (2 Tessalonicenses 2:13-15). Através deste poder divino e o entendimento completo de sua revelação, Deus providenciou tudo o que o homem precisa para sua vida espiritual e santidade. As palavras do apóstolo confirma a promessa de Jesus aos seus apóstolos que o Espírito Santo os guiaria em toda a verdade: “Quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir” (João 16:13).

Exposição:

Pedro cita 8 princípios ou virtudes nos versos 5 a 7, que englobam o pleno conhecimento, que visam o crescimento espiritual, o entendimento da vontade de Deus, a vida santa e consagrada, e a pratica do bem, confirmando a nossa vocação e eleição em Cristo Jesus, nosso Senhor.

5 por isso mesmo, vós, reunindo toda a vossa diligência, associai com a vossa fé a virtude; com a virtude, o conhecimento; 6 com o conhecimento, o domínio próprio; com o domínio próprio, a perseverança; com a perseverança, a piedade; 7 com a piedade, a fraternidade; com a fraternidade, o amor” (2 Pedro 1:5-7).

Para ter uma vida em Cristo, o comportamento baseado em elevados princípios morais é essencial. Uma vida moldada no exemplo de Jesus gera duas coisas: 1) o nome de Deus é glorificado; 2) Ela enobrece a pessoa que a adotou – a torna nobre. Os cristãos devem empregar “toda diligência” a fim de viverem com uma excelência inegociável.

“Associai” (ARA) ou “acrescentai” (NVI) no verso 5 sugere que uma virtude deve emparelhar a outra. O sentido é que cada virtude deve ser usada como degrau para a próxima; “associai com a vossa fé a virtude”. “Fé” é o meio pelo qual se alcança a “virtude” ou “excelência moral”, por exemplo.

Vamos fazer uma análise dos princípios do pleno conhecimento:

1) Fé: Fé conforme Hebreus 11:1 é “a certeza de coisas que se esperam, e a convicção de fatos que se não veem”. Paulo tornou a fé fundamental à identidade cristã quando escreveu: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus” (Efésios 2:8). O autor de Hebreus acrescentou: “De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam” (11:6).

2) Virtude: “associai com a vossa fé a virtude (v.5). Pedro incentivou aos irmãos, que se entregaram a Cristo pela “fé”, a empregarem a fé como um degrau para a próxima qualidade, ou seja, virtude. Os cristãos devem crescer no mesmo tipo de “virtude” ou “excelência moral” que Deus manifestou. A palavra sugere firmeza, constância e coerência de caráter. Ela vem naturalmente depois de termos depositado a fé em Deus.

3) Conhecimento: “com a virtude, o conhecimento (v. 5). Pedro referiu-se ao conhecimento, como uma virtude necessária para colocar a fé em Deus e ser salvo. “Conhecimento” neste verso é do tipo prático que permite o crescimento cristão – crescer em Cristo e no conhecimento da vontade de Deus.

4) Domínio próprio: “com o conhecimento, o domínio próprio” (v. 6). Há somente três qualidades que são comuns nas virtudes cristãs de Pedro e no “fruto do Espírito” de Paulo (Gálatas 5:22, 23). “Fé” e “amor” (que ainda vamos analisar) e “Domínio próprio”, que é o auto-controle. Deus espera que o Seu povo controle seus desejos e impulsos. O ser humano é capaz de controlar sua própria raiva, suas paixões lascivas, seus pensamentos e seu comportamento com a ajuda do Espirito Santo.

5) Perseverança: “com o domínio próprio, a perseverança” (v. 6). O “domínio-próprio” serve de plataforma de onde a perseverança pode ser acrescentada ao caráter cristão. Designa longevidade, constância e tolerância firme. É a qualidade que faz o cristão superar o desânimo, tira-o das tentações e o ajuda a continuar na fé que professou.

6) Piedade: “com a perseverança, a piedade” (v. 6). Perseverando na fé, o cristão alcança o alvo da piedade. Significa uma conscientização de que Deus está sempre perto. É uma mentalidade voltada para Deus que O inclui em todas as áreas da vida. Uma pessoa piedosa faz escolhas difíceis com humildade; as alegrias e dores da vida são enfrentadas de mãos dadas com Deus. É zelo e temor a Deus.

7) Fraternidade: “com a piedade, a fraternidade” (v. 7). A piedade para com Deus não deve ser isenta de um comportamento generoso e bondoso para com o semelhante. A honestidade e a bondade para com o próximo florescem da piedade. Ela agrega um amor emocional e caloroso entre irmãos. Jesus Cristo ensinou Seus discípulos a amar, honrar e respeitar cada ser humano, porém, reserva um vínculo especial com os que partilham da mesma fé. “Façamos o bem a todos, mas principalmente aos da família da fé” (Gálatas 6:10).

8) Amor: “com a fraternidade, o amor” (v. 7). Pedro concluiu que todas essas virtudes maravilhosas devem ser fundamentos para o amor. Esta é uma palavra que aborda tudo, a palavra excelsa do Novo Testamento para o comportamento cristão. De todos os mandamentos, Jesus disse que amar a Deus e amar ao próximo eram os maiores (Marcos 12:29–31).

Conclusão:

O apóstolo deixou claro que as palavras que ele acabara de usar não eram coisas abstratas (irreais ou não concretas). Ele não estava falando de teoria. Dirigindo-se aos seus irmãos em Cristo, Pedro disse que, quando obtivessem o pleno conhecimento, fariam com que não fossem nem inativos (inertes) nem infrutuosos (sem frutos). O apóstolo estava dizendo que as virtudes que acabara de alistar tornam o cristão útil (disposto a servir) e frutuoso (que dá muito fruto). Jesus afirmou: 1 Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. 2 Todo ramo que, estando em mim, não der fruto, ele o corta; e todo o que dá fruto limpa, para que produza mais fruto ainda” (João 15:1,2).

Palavras finais de encorojamento:

8 Porque estas coisas, existindo em vós e em vós aumentando, fazem com que não sejais nem inativos, nem infrutuosos no pleno conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo. 9 Pois aquele a quem estas coisas não estão presentes é cego, vendo só o que está perto, esquecido da purificação dos seus pecados de outrora. 10 Por isso, irmãos, procurai, com diligência cada vez maior, confirmar a vossa vocação e eleição; porquanto, procedendo assim, não tropeçareis em tempo algum. 11 Pois desta maneira é que vos será amplamente suprida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2 Pedro 1:8-11).