Guias da igreja

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Um estudo sobre aqueles que devem guiar a igreja, o corpo de Cristo


1 – Estudo da palavra:

Existem 3 variantes da palavra “guia” no grego no Novo Testamento:

A – “Hegeomai” em Mateus 2:6 referindo-se a Cristo; e em Hebreus 13:7,17,24 referindo-se a homens fiéis (presbíteros).
B – “Kathegetes” em Mateus 23:10 referindo-se a Cristo.
C – “Hodegos” em Mateus 15:14; 23:16,24; Atos 1:16; Romanos 2:19 referindo-se a homens (“guias cegos”).

1.2 – Significados:

A – Hegeomai (Mt 2:6; 23:10; Hb 13:7,17,24):
– Liderar
Fazer ou percorrer antes
– Ser um líder
– Dar um comando
– Ter autoridade sobre
– Governar
Influenciar
Supervisionar
Porta-voz

B – Kathegetes (Mt 23:10):
– Mestre
– Professor

C – Hodegos (Mt 15:14; 23:16,24; At 1:16; Rm 2:19):
– Um líder
– Um guia
– Um professor ignorante e inexperiente

Obs.: As palavras “hegeomai” e “hodegos” têm como uma de suas traduções a palavra líder, mas o sentido não é dar ordens (mandar; subjugar; etc.) como líderes opressores e seculares, mas liderar guiando e direcionando: fazendo antes; influenciando pelo testemunho pessoal; supervisionando; persuadindo pelo bom exemplo e pratica.

1.3 – Passagens bíblicas:

Mateus 2:6 – Hegeomai
“E tu, Belém, terra de Judá, não és de modo algum a menor entre as principais de Judá; porque de ti sairá o Guia que há de apascentar a meu povo, Israel.”

Hebreus 13:7,17,24 – Hegeomai
13:7 – “Lembrai-vos dos vossos guias, os quais vos pregaram a palavra de Deus; e, considerando atentamente o fim da sua vida, imitai a fé que tiveram.”
13:17 – “Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por vossa alma, como quem deve prestar contas, para que façam isto com alegria e não gemendo; porque isto não aproveita a vós outros.”
13:24 – “Saudai todos os vossos guias, bem como todos os santos. Os da Itália vos saúdam.”

Mateus 23:10 – Kathegetes
“Nem sereis chamados guias, porque um só é vosso Guia, o Cristo.”Obs.: nenhum homem pode ser identificado como “Kathegestes”, diferentemente de “Hegeomai” que é aplicado a Cristo e a homens fiéis. “Kathegestes” é único para identificar o Senhor Jesus Cristo dos demais guias na igreja.

Mateus 15:14 – Hodegos
“Deixai-os; são cegos, guias de cegos. Ora, se um cego guiar outro cego, cairão ambos no barranco.” 

Mateus 23:16,24 – Hodegos
23:16 – “Ai de vós, guias cegos, que dizeis: Quem jurar pelo santuário, isso é nada; mas, se alguém jurar pelo ouro do santuário, fica obrigado pelo que jurou!”
23:24 – Guias cegos, que coais o mosquito e engolis o camelo!”

Atos 1:16 – Hodegos
“Irmãos, convinha que se cumprisse a Escritura que o Espírito Santo proferiu anteriormente por boca de Davi, acerca de Judas, que foi o guia daqueles que prenderam Jesus,”

Romanos 2:19,20 – Hodegos
“… que estás persuadido de que és guia dos cegos, luz dos que se encontram em trevas, instrutor de ignorantes, mestre de crianças, tendo na lei a forma da sabedoria e da verdade;”

2 – Pensamento:

Através das passagens acima, percebemos a importância de termos guias nas igrejas (congregações). Cristo é o nosso Guia (o supremo Pastor – Mt 23:10), mas Ele mesmo designou guias (pastores) para a igreja segundo a sua vontade (1 Tm 3:1-7; Tt 1:5-9); para governá-la, liderá-la, guiá-la e supervisioná-la sob a Sua suprema autoridade e supervisão. Devemos lembrar que os pastores também são servos de Cristo, e são aqueles que servirão a igreja, cuidando das ovelhas e guiando-as ao supremo Pastor que é Jesus. As ovelhas não pertencem aos pastores, mas ao supremo Pastor. A função dos pastores não é mandar e subjugar, mas é guiar as ovelhas no caminho de Cristo, liderando e cuidando para que elas não se desviem na travessia do caminho rumo ao céu.

Questão: Na falta de pastores, ou seja, quando ainda não há homens (uma pluralidade deles) qualificados segundo a Bíblia (1 Tm 3:1-7; Tt 1:5-9), como e por quem, as igrejas (congregações) devem ser guiadas? Afinal, nas congregações não existem somente pastores e mestres, mas também, pregadores e evangelistas (Ef 4:11), além, é claro, de pregadores (1 Tm 2:7; 2 Tm 1:11).

2.1 – A resposta em Efésios 4:10-14:

“10  Aquele que desceu é também o mesmo que subiu acima de todos os céus, para encher todas as coisas. 11  E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, 12  com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, 13  Até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo, 14  para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro”.

Conforme esta passagem, Jesus concedeu funções aos homens para servi-lo nos diversos trabalhos da igreja. Aqui encontramos 4 funções, sendo que duas delas não estão mais em evidência: são elas apóstolos e profetas: (os termos entre parênteses estão no grego)

1 – Apóstolos (apostolos): enviado; mensageiro de Cristo. Testemunhas oculares de Jesus
2 – Profetas (prophetes): porta-voz; interprete dos oráculos de Deus (ver nota 1).
3 – Evangelistas (euaggelistes): portador de boas notícias; arauto da salvação.
4 – Pastores e mestres (poimen & didaskalos): cabeça; superintendente; supervisor; professor

Nota 1: Os pregadores praticamente fazem o mesmo serviço de um profeta na antiga aliança: ser porta-voz de Deus e interprete de Sua soberana vontade.

2.2 – A resposta em 1 Timóteo 2:7:

“Para isto fui designado pregador e apóstolo (afirmo a verdade, não minto), mestre dos gentios na fé e na verdade.”

2.3 – A resposta em 2 Timóteo 1:11:

“… para o qual eu fui designado pregador, apóstolo e mestre …”

Nestas passagens de Timóteo encontramos também 3 funções:

1 – Pregador (kerux/Kai): mensageiro; arauto; proclamador da vontade divina.
2 – Apóstolo (apostolos): enviado; mensageiro de Cristo. Testemunhas oculares de Jesus.
3 – Mestre (didaskalos): professor.

Em Efésios percebemos claramente quem deve ser aqueles que guiarão o povo de Deus “com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo”: Apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres. Nas cartas a Timóteo, Paulo declara suas funções pelo qual serviria a Cristo e seus propósitos: Pregador, apóstolo e mestre. Isto nos mostra que junto com os pastores (presbíteros ou bispos – ver nota 2) ou na falta destes – quando ainda não houver homens qualificados pela Bíblia para exercer o presbitério -, evangelistas, mestres e pregadores devem guiar o povo de Deus com um propósito bem claro: aperfeiçoamento dos santos no desempenho dos serviços prestados ao reino, bem como a edificação do corpo, ou seja, de todos os membros. Conforme instrução de Jesus, cada obreiro desempenhará sua função – ou funções – para que a igreja atinja a maturidade que o Senhor espera. O que for diferente disto está em desacordo com a Bíblia.

Nota 2: A Bíblia fala de três funções distintas, porém dadas ao mesmo homem: pastor, presbítero e bispo. Não são três homens diferentes, cada qual exercendo sua função, mas sim um homem exercendo três funções diferentes. Lembrando que em cada congregação haverá sempre uma pluralidade deles, dois ou mais, exercendo estas funções. Lembrando também que os pastores governarão uma congregação e não várias, pois cada congregação é independente, cada qual com o seu presbitério, porém todas sob a supervisão e governo do Supremo Pastor Cristo Jesus. “Por esta causa, te deixei em Creta, para que pusesses em ordem as coisas restantes, bem como, em cada cidade, constituísses presbíteros, conforme te prescrevi” (Tt 1:5). O que qualifica um pastor não é meramente um curso de formação pastoral, mas as virtudes apresentadas por Paulo em 1 Timóteo 3:1-7 e Tito 1:5-9. Estas virtudes são alcançadas ou conquistadas através da vivência e prática da vontade de Deus. Um homem que não tem as qualificações (a totalidade delas) requeridas, não está apto para exercer o presbitério. É preciso também almejar: “Fiel é a palavra: se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja” (1 Tm 3.1). A seguir as funções e características do guia (“hegeomai” – Hb 13:7,17,24) e seus significados  (termos entre parênteses no grego):

– Pastor (poimen): cabeça; superintendente; supervisor
– Presbítero (presbyteros): ancião
– Bispo (episkopos): supervisor; superintendente

3 – Exemplo:

Desde o início Deus vem chamando homens para guiar o seu povo. No antigo testamento, podemos usar o exemplo de Moisés ao designar “chefes” (do hebraico “sar”: líder; governante; cabeça) entre o povo em grupos de determinadas quantidades (Dt 1:9-15). O povo não poderia ficar sob a direção de único guia, devido à imensa quantidade de pessoas, serviço e responsabilidade; e nem tão pouco ficar sem guia nenhum, o que seria bem pior. Moisés também acatou a sugestão de Jetro, seu sogro, para que ele designasse “chefes” para ajudá-lo no julgamento das questões do povo (Ex 18:13-27). Mais tarde, o povo acabou por pedir reis para guiá-los, sob a permissão de Deus, o que em inúmeros casos foi desastroso (ver nota 3). Nem todos estão prontos ou são chamados para serem guias (Hegeomai) do povo de Deus. Muitos “guias” tem sido um desastre (Hodegos).

Nota 3: Permissão de Deus é diferente de aprovação de Deus. O Senhor pode permitir algo, mas não segundo a sua vontade (aprovação) e sim pela insistência do homem; o que pode resultar em inúmeros problemas e até mesmo a morte (física ou espiritual) – O caso dos reis de Israel é uma grande prova disto.

4 – Conclusão:

No Novo Testamento, o Senhor designou através do apóstolo Paulo como deve ser o trabalho nas congregações e quem deve guiar o seu povo no caminho de Cristo. Paulo lista as qualificações para os presbíteros e ordena que eles sejam estabelecidos em cada congregação (1 Tm 3:1-7; Tt 1:5-9). Mas na falta destes homens, ou seja, quando ainda não há uma pluralidade de homens qualificados para exercerem a função de pastores (presbíteros; bispos), a igreja deve ser guiada por evangelistas, mestres e pregadores conforme vimos em Ef 4:10-14; 1 Tm 2:7; 2 Tm 1:11.

Um ponto importante que precisamos ressaltar, é que quando houver pastores pela qualificação bíblica (1 Tm 3:1-7; Tt 1:5-9), eles devem trabalhar em conjunto com os evangelistas, mestres e pregadores, na organização dos trabalhos e desempenho de suas funções conforme Ef 4:10-14. Os presbíteros não guiarão sozinhos, sendo supervisores, eles trabalharão em conjunto com os outros obreiros, cada qual com a sua função no corpo de Cristo.

Algo ainda a acrescentar é que os guias precisam ser “Hegeomai”, assim como Cristo e não “Hodegos”: guias cegos, pastores que apascentam a si mesmos, ou seja, homens que falam, mas não agem e não vivem como Jesus quer.

Que este estudo possa nos ajudar a chegar à perfeita vontade de Deus para uma liderança santa e consagrada ao Senhor, que o sirva de bom grado e guie seu povo ao supremo e único pastor de nossas almas, Jesus Cristo. Deus seja louvado, glorificado e obedecido.

– Apêndice:

Um exemplo de eleição (escolha/indicação):

Atos 6 registra uma eleição de obreiros para servir numa determinada função. Nesta passagem os irmãos escolhem/indicam homens conforme suas vidas, testemunho pessoal, capacidade e maturidade espiritual para servirem as mesas (um serviço material da igreja – At 6:1,2). “Mas, irmãos, escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria, aos quais encarregaremos deste serviço” (At 6:3).

Obs.: Se para exercer uma função material na igreja são necessárias virtudes exemplares, quanto mais para servir na área espiritual.

Esta é a melhor maneira de se ter homens qualificados para exercerem as variadas funções na igreja (congregação local). A vida e o testemunho de alguém devem ser mais importante do que qualquer outro fator na escolha/indicação daqueles que servirão a igreja e a Cristo. Porém, estes homens devem estar entre aqueles que exercem funções pré-estabelecidas conforme Ef 4:10-14, 1 Tm 2:7 e 2 Tm 1:11. Não basta alguém dizer por exemplo: “Eu sou pastor”. É preciso, antes, viver como tal, do contrário ele não passará de um “hodegos”, ou seja, um guia cego.

Revisão 3

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