Introdução:
“Bendize, ó minha alma, ao SENHOR” (Salmo 103:1). Essas palavras de glória para Deus iniciam e encerram este Salmo, identificado como um hino escrito pelo rei Davi. O título não posiciona esse salmo em um contexto histórico específico, mas sua ênfase na compaixão e misericórdia de Deus em perdoar os pecados sugere a probabilidade do salmo ter sido composto depois do pecado de Davi com Bate-Seba. Compare a mensagem desse hino com os Salmos 51 e 32.
“O Senhor é misericordioso e justo; o nosso Deus é compassivo” (Salmo 116:5); “O Senhor, nosso Deus, é misericordioso e perdoador, apesar de termos sido rebeldes” (Daniel 9:9); “A sua misericórdia estende‑se aos que o temem de geração a geração” (Lucas 1:50); “Agrada-se o Senhor dos que o temem e dos que esperam na sua misericórdia” (Salmo 147:11); “A luz raia nas trevas para o íntegro, para quem é misericordioso, compassivo e justo” (Salmo 112:4).
Exposição: o que diz a palavra?
Davi oferece louvor a Deus com todo o seu ser, considerando todos os atributos de Deus que ele conhece: “Bendize, ó minha alma, ao SENHOR, e tudo o que há em mim bendiga ao seu santo nome. Bendize, ó minha alma, ao SENHOR, e não te esqueças de nem um só dos seus benefícios” (versos 1 e 2). A totalidade do homem se dedica a adoração da totalidade de Deus!
Os cânticos relatados no hinário de Israel tratam de diversos motivos para adorar a Deus. Um tema frequente é o foco do Salmo 103: a misericórdia do Deus que perdoa os pecados dos homens. Davi descreve as obras de Deus com vários termos que refletem sua compaixão para com os pecadores. O Senhor perdoa as iniquidades e sara as enfermidades: “Ele é quem perdoa todas as tuas iniquidades; quem sara todas as tuas enfermidades” (v. 3). Ele redime a vida e estende graça e misericórdia: “quem da cova redime a tua vida e te coroa de graça e misericórdia” (v. 4). Deus é misericordioso, compassivo, longânimo e benigno (v. 8).
A grandeza de Deus é evidente no que ele faz, e igualmente visível no que ele não faz: “Não repreende perpetuamente, nem conserva para sempre a sua ira. Não nos trata segundo os nossos pecados, nem nos retribui consoante as nossas iniquidades” (v. 9, 10). O apóstolo Paulo disse que o salário do pecado é a morte, a separação de Deus, “mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Romanos 6:23). Quando Deus perdoa o pecado e permite o retorno do culpado à sua comunhão, ele cancela essa sentença: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados” (Atos 3:19).
O perdão que Deus oferece ao pecador é completo. Diferente da nossa tendência em falar de perdão, mas sempre lembrar a ofensa cometida, a compaixão do Senhor resulta na remissão total: “Pois quanto o céu se alteia acima da terra, assim é grande a sua misericórdia para com os que o temem. Quanto dista o Oriente do Ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões” (v. 11,12). Considerando nossa incapacidade de resolver, por força ou vontade própria, o problema dos nossos pecados, o conceito de um Deus misericordioso nos oferece esperança. Ele sabe muito bem das limitações das suas criaturas humanas: “Como um pai se compadece de seus filhos, assim o Senhor se compadece dos que o temem. Pois ele conhece a nossa estrutura e sabe que somos pó” (v. 13,14). Só Deus perdoa. Ele é o único capaz de nos salvar.
Davi frisa a diferença entre o homem e seu Criador com ênfase no contraste entre temporário e eterno. Os dias do homem se comparam às plantas que florescem e somem: “Quanto ao homem, os seus dias são como a relva; como a flor do campo, assim ele floresce; pois, soprando nela o vento, desaparece; e não conhecerá, daí em diante, o seu lugar” (v. 15,16), “mas a misericórdia do Senhor é de eternidade a eternidade, sobre os que o temem, e a sua justiça, sobre os filhos dos filhos” (v, 17).
Nos últimos versos, Davi chama todos que existem sob o domínio divino a participar na adoração ao Eterno Deus. Os anjos, que executam as ordens de Deus, devem bendizer seu nome. Os exércitos do Senhor, todos servos obedientes, devem adorá-lo (v. 20,21). Todas as obras do Criador existem para honrá-lo (v. 22). Esse apelo universal se torna evidente na comparação dos versos 19 e 22. Todas as obras de Deus em todo o seu domínio devem adorá-lo (v. 22). Seu domínio é universal, pois “nos céus, estabeleceu o Senhor o seu trono, e o seu reino domina sobre tudo” (v. 19).
Conclusão:
É importante para cada pessoa refletir sobre a grandeza de Deus, apreciando sua posição como Senhor sobre tudo e sobre todos. Devemos pensar sobre a submissão de multidões de anjos e de toda a natureza ao seu Criador. Paulo aplicou esse conceito a Jesus quando escreveu: “Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai” (Filipenses 2:9,10). Mas, a mensagem do Salmo 103 frisa, do começo ao fim, um outro fato de enorme importância. Deus merece a nossa adoração, a nossa obediência, o nosso serviço, e nossa submissão total: “Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e tudo o que há em mim bendiga ao seu santo nome. Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e não te esqueças de nem um só de seus benefícios. Ele é quem perdoa todas as tuas iniquidades; quem sara todas as tuas enfermidades; quem da cova redime a tua vida e te coroa de graça e misericórdia” (Salmo 103:1-4).
A Deus toda glória!
Mensagem baseada em texto retirado do site Estudos Bíblicos
