Introdução:

O apóstolo Paulo escreveu a igreja em Colossos (região da Frígia na Ásia menor; hoje Turquia) para adverti-los a não se desviarem de Cristo, e para reforçar que Jesus está acima de tudo e Ele é tudo de que os cristãos precisam para viver de acordo com a vontade de Deus.

O propósito de Paulo era enfatizar a preeminência de Cristo (que ocupa o lugar mais elevado ou está acima dos demais). Qualquer ensino que não é de Jesus é destrutivo. Ele é divino e supre completamente as necessidades espirituais dos cristãos. O apóstolo os encoraja a continuarem mortos para as práticas imorais do mundo e vivos para as coisas celestiais.

A base para todo ensino verdadeiro, segundo Paulo, é a grandeza e autoridade de Jesus. Ele carrega a imagem de Deus, é o Criador, governa sobre tudo e é o cabeça da igreja (1:15–18). Através do Seu sangue derramado na cruz, Ele possibilitou a reconciliação com Deus (1:20–23). Toda a sabedoria e todo o conhecimento verdadeiros (2:3) e toda a plenitude da Divindade estão em Cristo (2:9,10).

Exposição

“13 Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, 14 no qual temos a redenção, a remissão dos pecados” (Colossenses 1:13,14).

Vamos analisar quatro pontos que destacam a supremacia de Cristo, e que confirmam que Ele é tudo que nós precisamos.

1 – Jesus é a imagem do Deus invisível:

“Este é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação” (Colossenses 1:15).

1.1 – “Este é a imagem do Deus invisível” (v. 15a):

Jesus é a imagem perfeita do Pai porque Ele possui a completitude de Sua personalidade e a natureza divina. Ele tornou o Deus invisível, visível e inteligível. Através dEle a plenitude de Deus foi revelada.

Jesus veio para revelar o Pai à humanidade (João 1:18). Quem vê Jesus também vê o Pai (João 12:45; 14:9). “Ele… é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser” (Hebreus 1:3a). Em todas as coisas Ele é a mesma essência, natureza, glória e caráter do Pai.

1.2 – “o primogênito de toda a criação” (v. 15b):

O primogênito de uma família hebraica tinha uma posição superior. Ele recebia uma bênção do

pai (Gênesis 27:1–4,19, 34–37) e o direito de primogenitura (Gênesis 43:33). Ainda que em muitos casos “primogênito” significasse o filho que nasceu primeiro (Gênesis 19:34; 27:19), o termo também era usado para o mais estimado ou amado. Israel é chamado de primogênito de Deus (Êxodo 4:22). Davi é citado como o primogênito (Salmos 89:27), e também Efraim (Jeremias 31:9). Os cristãos também são considerados primogênitos (Hebreus 12:23).

Todavia, este não é o significado que Paulo estava em mente. Paulo estava apresentando Jesus como Aquele que possuía o prestígio e a honra do primogênito em relação a todos que foram criados. Como primogênito, Ele tem prioridade e domínio ou soberania.

Em Colossenses 1:16 lemos: “Pois, nele, foram criadas todas as coisas”. Jesus é a origem de tudo e como Criador, é superior a tudo que foi criado. Ele é o unigênito Filho de Deus; o primogênito no sentido de ter a posição suprema de honra e glória.

2 – Jesus é o Criador:

16 “pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele” (Colossenses 1:16).

A posição e a honra de Jesus como Filho primogênito baseiam-se no fato de que Ele criou todas as coisas, o que inclui “os céus e a terra” (Gênesis 1:1) e todo o cosmo. Tudo o que foi criado foi criado “através” de Jesus. “17 Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste. Ele é a cabeça do corpo, da igreja. 18 Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia, 19 porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude” (Colossenses 1:17-19).

Tanto o Pai como o Filho estiveram envolvidos na criação. Jesus estava com o Pai no processo criativo. Visto que sem inteligência não há capacidade para projetar, a conclusão lógica é que um designer inteligente, Deus (“elohim”; substantivo plural para Deus), criou o universo (Romanos 1:20; Hebreus 3:4). Por causa de quem Jesus é, só a Ele devemos nos submeter, honrar, adorar e obedecer (Efésios 1:20–23; Hebreus 1:6; 5:9).

3 – Em Jesus habita toda a plenitude da divindade:

“8 Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo; 9 porquanto, nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade (Colossenses 2:8-9).

Os colossenses haviam sido resgatados do poder e da escravidão das trevas (1:13), o que foi uma libertação das trevas do pecado. Paulo estava dizendo para eles não se deixarem levar de volta para a escravidão.

O aviso de Paulo aos colossenses era que eles não deveriam ser tirados de Cristo por tradições humanas. Quaisquer outros ensinos e ordenanças seriam de homens e não de Cristo. Tais ordenanças deveriam ser rejeitadas (Tito 1:14). Quem ensina outro evangelho é amaldiçoado (Gálatas 1:7,8).

A razão para seguirem a Jesus, e não a ensinos humanos, tem como base quem Jesus é. Se Ele é a Divindade e possui todas as características da Divindade, então tudo que Ele ensinou é verdadeiro e autorizado (Hebreus 6:18), por isso Seu ensino é verdadeiro. Qualquer ensino que não esteja em harmonia com a verdade revelada de Jesus é falso (1 João 2:21) e não tem o apoio da autoridade de Jesus.

4 – Jesus é o nosso aperfeiçoador:

“Também, nele, estais aperfeiçoados. Ele é o cabeça de todo principado e potestade” (Colossenses 2:10).

Os cristãos são aperfeiçoados em Jesus. Porque nEle habitando toda plenitude – a totalidade – da natureza sublime de Deus, Ele tem poder para deixar Seus seguidores cheios, perfeitos ou “completos”. “Porque todos nós temos recebido da Sua plenitude e graça sobre graça” (João 1:16).

Tudo que é necessário para um relacionamento com Deus encontra-se disponível somente para os que estão em Cristo. Toda bênção espiritual está nEle (Efésios 1:3). Incluem-se nessas bênçãos: redenção, nenhuma condenação, o amor de Deus, santificação, graça, ser uma nova criatura, reconciliação, a justiça de Deus, o benefício do Seu sangue, perdão de pecados, salvação e vida eterna!

Jesus provê tudo que uma pessoa necessita para ter vida espiritual e servir a Deus de maneira agradável, aceitável e dentro da vonatde dEle. A revelação de Deus é completa e, portanto, torna completo quem lhe obedece.

Conclusão:

1 – Jesus é a imagem do Deus invisível: Ele é a imagem de Deus (veja 2 Coríntios 4:4). Jesus entrou no mundo para mostrar a glória do Pai e para revelar como Deus é (João 1:14, 18).

2 – Jesus é o Criador: Jesus deve ser adorado como o Criador de todas as coisas. Ele estava no princípio com o Pai e possui a natureza divina do Pai. João começou seu evangelho revelando que Jesus criou tudo. Nele tudo subsiste pela palavra do Seu poder (Hebreus 1:3).

3 – Em Jesus habita toda a plenitude da divindade: Jesus é muito superior a tudo e a todos conforme o livro de Hebreus. Por essa razão, a Ele devemos mostrar reverência, respeito e honra. Ele é digno de adoração (Atos 4:11,12).

4 – Jesus é o nosso aperfeiçoador: Sendo Jesus completo, Ele pode suprir todas as nossas necessidades. Através da Sua vida, morte e ressurreição, Jesus possibilitou bênçãos a todas as pessoas. Os cristãos podem dizer confiadamente: “O Senhor é o meu auxílio” (Hebreus 13:6a).

Leitura de encorajamento – Colossenses 2:11-15:

“11 Nele, também fostes circuncidados, não por intermédio de mãos, mas no despojamento do corpo da carne, que é a circuncisão de Cristo, 12 tendo sido sepultados, juntamente com ele, no batismo, no qual igualmente fostes ressuscitados mediante a fé no poder de Deus que o ressuscitou dentre os mortos. 13 E a vós outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele, perdoando todos os nossos delitos; 14 tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz; 15 e, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz”.