Pastor ferido, ovelhas dispersas

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Esta noite, todos se escandalizarão

Jesus estabeleceu a nova aliança de Deus com os homens, instituindo a ceia do Senhor, onde Ele usou os mesmos elementos da páscoa hebraica dando-lhes novos significados. Do local onde Jesus estava reunido com seus discípulos para esta comemoração, partiram para o monte das oliveiras (Mateus 26:26-30).

31 Então, Jesus lhes disse: Esta noite, todos vós vos escandalizareis comigo; porque está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho ficarão dispersas. 32 Mas, depois da minha ressurreição, irei adiante de vós para a Galiléia. 33 Disse-lhe Pedro: Ainda que venhas a ser um tropeço para todos, nunca o serás para mim. 34 Replicou-lhe Jesus: Em verdade te digo que, nesta mesma noite, antes que o galo cante, tu me negarás três vezes. 35 Disse-lhe Pedro: Ainda que me seja necessário morrer contigo, de nenhum modo te negarei. E todos os discípulos disseram o mesmo.” (Mateus 26:31-35)

Chegando ao monte, Jesus fez uma dura declaração aos discípulos: naquela noite todos iriam tropeçar negando conhecê-lo (v. 31). Ao mesmo tempo em que Jesus predisse qual seria as atitudes dos discípulos, Ele os confortou com algo maravilhoso: eles o veriam novamente na Galiléia após sua ressurreição (v. 32). Pedro logo tratou de mostrar bravura quanto à declaração de Jesus afirmando que ele não o negaria (v. 33). Respondendo a Pedro, Jesus disse que ele negaria, não só uma vez, mas três vezes que o conhecia (v. 34). Apesar da afirmação de Jesus, Pedro voltou a insistir em sua fidelidade ao Senhor; inspirando com isso os outros a fazerem o mesmo (v. 35).

Podemos tirar quatro lições para as nossas vidas deste episódio envolvendo Jesus e seus discípulos:

1) Qual declaração seria mais difícil ouvir de Jesus? “Nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade” (Mateus 7:23) seria uma, mas naquele momento, logo após Jesus ter compartilhado com seus discípulos a nova aliança no seu sangue – uma comunhão íntima -, a declaração de que todos o abandonariam naquela noite foi muito dura aos seus corações; eles não esperavam ouvir isto do Senhor. Eles se sentiam seguros ao lado de Jesus, porém, o Pastor seria ferido e as ovelhas se dispersariam. Ovelhas precisam de um pastor e naquele momento os discípulos ficariam sem Jesus. Ele já sabia qual seria a reação dos discípulos – eles o negariam.

Não temos como saber se amanhã negaremos ao Senhor por algum motivo, mas Jesus sabe. Cada um de nós sabe se está o negando ou não. Não temos como saber se os outros estão negando conhecer Cristo, a não ser que testemunhemos isto. O fato é que Deus sabe, mas ele não nos negará antes que possamos ter oportunidades de nos redimir. Jesus afirmou que todos o negariam, porém, se encontraria com eles após sua ressurreição. Os discípulos erraram, mas Jesus não desistiu deles por causa disto. Isto é um alento para nós. Vamos errar em nossa caminhada, mas o Senhor não desistirá facilmente de nós, porém não devemos abusar de sua bondade; devemos reconhecer nossos erros e produzir “frutos dignos de arrependimento” (Mateus 3:8).

2) Quantos de nós teriam a mesma atitude de Pedro ante a declaração de Jesus? É fácil falar; é fácil dizer as palavras; é fácil dizer palavras sem antes refletir. Pedro esboçou sua reação afirmando que os outros poderiam negá-lo, mas ele não. Com certeza ele não sabia o que estava dizendo, pois não pensou nas conseqüências de sua afirmação; ou ainda, não sabia o que estava por vir realmente.

Dizer as palavras com coragem e determinação numa situação de tranqüilidade e paz é muito fácil, mas afirmá-las ante a opressão e numa situação de risco é muito diferente. Somos absolutamente firmes e corajosos num sermão, numa aula ou numa mensagem, mas quando é preciso transmitir as mesmas palavras e atitudes a certas pessoas no mundo, muitos se encolhem ou recuam com receio duma reação que os prejudique. Tenhamos a coragem para dizer as palavras de Pedro, mas não apenas proferi-las no ímpeto ou numa circunstância em que não correremos risco algum; vamos dizê-las publicamente independentemente da reação daqueles que ouvem.

3) Pedro foi firme em sua declaração de que não negaria Jesus, mas isto não mudaria os fatos. A predição do Senhor era verdadeira – como tudo o que Ele diz -; e por mais que Pedro tivesse convicção no que estava afirmando, de fato, ele tropeçaria mais tarde.

Como sentiríamos ao saber que mesmo com nossa firme convicção na fé em Jesus, amanhã o negaríamos, talvez, com a mesma convicção? O que Pedro deve ter sentido naquele momento? Saber do próprio Senhor que o negaria deve ter sido uma experiência terrível e com certeza inaceitável, pois a sua fé em Jesus até aquele momento era bem clara.

Estamos preparados para situações que exijam de nós uma convicção firme em Cristo? Estamos preparados para perder até emprego, posição social, amizades, dentre outras coisas neste mundo afirmando conhecer Jesus? Somos firmes e convictos na presença da irmandade e no conforto da comunhão em Cristo, mas estamos tendo as mesmas atitudes em nossa vida secular? Precisamos ser seguidores fiéis de Jesus em toda e qualquer situação!

4) Mesmo Pedro tendo ouvido a afirmação de Jesus que ele o negaria três vezes naquela noite, continuou declarando que não o faria. Talvez ele não estivesse acreditando em Jesus, ou ainda não sabia com quem estava lidando, ou não queria que fosse verdade. Seja qual forem seus motivos, Pedro foi ainda mais longe dizendo estar pronto pra morrer com Jesus se caso assim precisasse. O impulso de Pedro fez com que os outros tivessem a mesma atitude convicta, mas toda esta bravura seria dizimada com a chegada dos guardas do templo que estavam em companhia de Judas para prender Jesus.

Pedro ainda não estava pronto, nem os outros discípulos. Ainda não era à hora deles, e Jesus sabia disto, tanto que já os havia prevenido que encontraria com eles na Galiléia. Mas o momento deles iria chegar, mas antes precisavam receber o outro Consolador. Para estarmos prontos é preciso muito mais do que meras palavras. Naquele momento Pedro e os outros só disseram, mas não fizeram. Falar é fácil, fazer é difícil. Uma indagação se faz necessária: Estamos prontos para morrer com Jesus? Morrer para este mundo e seus atrativos, seus agrados e suas ofertas fáceis?

Jesus disse: “Se alguém vem a mim e não aborrece a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. E qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim não pode ser meu discípulo. Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo” (Lucas 14:26,27,33).

Conclusão: Para estarmos preparados para morrer ou sofrer com Cristo não bastam palavras de bravura e convicção; é preciso muito mais. Pedro e os outros discípulos ainda não estavam preparados para enfrentar a dura realidade de ser seguidor de Cristo num mundo corrompido pelo pecado. Sabemos pela história que suas palavras de tornaram realidade mais tarde; eles enfrentaram com coragem, ousadia e intrepidez toda e qualquer oposição dos homens ao evangelho. Estamos preparados para isto?

O Pastor foi ferido, as ovelhas dispersaram (Mateus 26:46-56); o Pastor morreu, as ovelhas se encontraram (Mateus 27:31-50; 28:16); o Pastor ressuscitou, as ovelhas se animaram (Mateus 28:17; Lucas 24:4-7; 36-42); o Pastor voltou, as ovelhas se fortificaram (Lucas 24:48-53); o Pastor reina, as ovelhas o servem (Apocalipse 11:15; Atos 1:9-2:47).

Que Deus nos de a força necessária para defendermos com a mesma bravura e convicção a nossa fé em Cristo e sua soberana vontade perante todos os homens, pois nosso supremo pastor, Jesus, reina e espera que suas ovelhas o sirvam com lealdade, diligencia, coragem e firmeza. Deus nos guie e ilumine em seu caminho de luz e verdade.

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2 comentários em “Pastor ferido, ovelhas dispersas

    Paulo Ubiratan disse:
    2 julho, 2014 às 20:58

    Quando Jesus falou que já estaria escrito no verso 31 em que livro ele se referia?

      Elcio Marcio respondido:
      7 julho, 2014 às 9:44

      Prezado Paulo, o livro é o do profeta Zacarias, 13:7 que diz: “Desperta, ó espada, contra o meu pastor e contra o homem que é o meu companheiro, diz o SENHOR dos Exércitos; fere o pastor, e as ovelhas ficarão dispersas; mas volverei a mão para os pequeninos”.

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