Jesus, o precursor I

Prólogo

Hebreus é uma carta escrita primeiramente aos cristãos judeus que estavam querendo voltar ao antigo sistema, já abolido pelo seu cumprimento por meio de Jesus – Ele veio, viveu e cumpriu a Lei, dando um fim a ela, estabelecendo uma Nova Aliança entre Deus e os homens; e consequentemente, sua doutrina, ensinada exaustivamente pelos apóstolos, em especial, pelo apóstolo Paulo. Hebreus não registra seu autor, mas ele mostra e declara a superioridade de Jesus sobre tudo e todos relacionados a Antiga Aliança: anjos, Moisés, profetas, Arão, etc.

No capítulo 6, o autor chama a atenção de seus leitores para um cuidado especial: em primeiro lugar, exortando a progredirem na fé (v. 1-3); em segundo, alertando sobre o perigo de se afastarem de Cristo, e morrer espiritualmente (v. 4-8); em terceiro, salientando que em Jesus, eles tinham coisas superiores (v. 9-12); e por fim, declarando que a promessa de Deus está segura em Cristo (v. 13-20).

Nosso estudo se baseará nas duas partes finais, a partir do verso 9, onde poderemos perceber e confirmar, que Jesus é o precursor da promessa divina para nós.

– Introdução

Em Jesus temos coisas superiores – Hebreus 6:9-12

Ao nos tornarmos cristãos, somos transportados para reino do Filho do amor de Deus (Colossenses 1:13,14), ou seja, a igreja, o reino de Deus na terra; o eterno propósito de Deus (Colossenses 1:26,27). Participando deste reino, nos tornamos cidadãos da pátria celestial, provando e usufruindo de coisas melhores e pertencentes a salvação. Ainda estamos no mundo, mas já somos integrantes do reino de Jesus.

9 Quanto a vós outros, todavia, ó amados, estamos persuadidos das coisas que são melhores e pertencentes à salvação, ainda que falamos desta maneira. 10 Porque Deus não é injusto para ficar esquecido do vosso trabalho e do amor que evidenciastes para com o seu nome, pois servistes e ainda servis aos santos. 11 Desejamos, porém, continue cada um de vós mostrando, até ao fim, a mesma diligência para a plena certeza da esperança; 12 para que não vos torneis indolentes, mas imitadores daqueles que, pela fé e pela longanimidade, herdam as promessas.” 

No reino, na nova vida, temos a segurança inabalável, que em Cristo, de participamos de coisas superiores, incomparavelmente melhores; e por causa disso, não medimos esforços para nos colocar a inteira disposição de Deus para servi-lo com toda dedicação, zelo e temor. Deus não esquecerá do seu e do meu esforço e dedicação no serviço dele; Ele nos chamou para servir; para sermos cooperadores com Jesus, de sua obra redentora na terra. Este é imenso e imensurável privilégio. Tendo toda essa convicção e certeza, é necessário sermos e continuarmos diligentes, não perdendo nunca o foco da esperança da salvação eterna em Cristo Jesus, não sendo negligentes e nem preguiçosos, porém, pelo contrário, seguindo o exemplo dos que agiram confiadamente em Deus, e em suas promessas.

Em Jesus, temos coisas superiores, e por isso nada pode ser capaz de impedir nossas trajetória rumo ao céu. Precisamos pensar nas coisas lá do alto, onde Cristo vive.

– Exposição

Em Jesus, a segurança da promessa – Hebreus 6:13-17

Em Jesus, a promessa de Deus foi cumprida e o eterno propósito dEle firmado, seu reino foi estabelecido na terra, e hoje participamos deste reino. Aos nossos olhos, as promessas de Deus podem, em tese, ser demoradas, mas Ele cumpre e cumpriu todas as suas promessas. Quando foi chamado, Abraão tinha 75 anos; ao completar 100 anos, Isaque, o filho da promessa nasceu; Isaque casou-se com Rebeca aos 40, mas precisou esperar 20 anos para que sua esposa estéril, fosse curada; Abraão, em seus 160 anos viu nascer seus netos, Esaú e também Jacó, por meio do qual seria estabelecida Israel, a nação escolhida por Deus para levar seu nome diante dos povos pagãos. Abraão sabia esperar, especialmente na suposta falta de esperança (Romanos 4:18).

13 Pois, quando Deus fez a promessa a Abraão, visto que não tinha ninguém superior por quem jurar, jurou por si mesmo, 14 dizendo: Certamente, te abençoarei e te multiplicarei. 15 E assim, depois de esperar com paciência, obteve Abraão a promessa. 16 Pois os homens juram pelo que lhes é superior, e o juramento, servindo de garantia, para eles, é o fim de toda contenda. 17 Por isso, Deus, quando quis mostrar mais firmemente aos herdeiros da promessa a imutabilidade do seu propósito, se interpôs com juramento.”

Deus fez sua promessa a Abraão, homem de fé e pai de uma nação. A promessa é uma bênção inigualável, e de proporções inimagináveis: uma nação como as estrelas do céu (Gênesis 22:15-17). Abraão esperou pacientemente em Deus, pois o Senhor é fiel em todas as suas promessas. A paciência de Abraão é um exemplo a ser seguido por todos nós, não desesperando, mas esperando sempre em Deus. O juramento de Deus é garantia de que o que Ele fala ou promete, acontecerá! A promessa de Deus é imutável, pois não depende da ação humana, por mais que ao longo da história possa ter havido interferências dos homens nos propósitos divinos, assim como ações continuas de Satanás em tentar destruir e impedir o eterno propósito de Deus ser cumprido.

Nossa confiança em Deus deve ser plena. Em Jesus, Deus cumpriu sua promessa; e seu reino foi estabelecido. Precisamos desfrutar e valorizar sobremaneira desta bênção extraordinária.

– Finalização

Em Jesus, duas coisas imutáveis – Hebreus 6:18-20

As bênçãos de Deus são inúmeras para nós. Na verdade, toda sorte bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo (Efésios 1:3). Porém, nesta seção, o autor salienta duas coisas importantíssimas para depositarmos totalmente nossas confiança no Deus altíssimo. Duas coisas que asseguram nossa estada eternamente em sua presença por meio de Jesus, pois ela não depende de nossa ação ou do que somos, mas em quem está alicerçada, ou seja, em Deus que fez a promessa.

18 para que, mediante duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, forte alento tenhamos nós que já corremos para o refúgio, a fim de lançar mão da esperança proposta; 19 a qual temos por âncora da alma, segura e firme e que penetra além do véu, 20 onde Jesus, como precursor, entrou por nós, tendo-se tornado sumo sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque.”

As duas coisas imutáveis: 1) “é impossível que Deus minta”; 2) “já corremos para o refúgio”. Com estes dois fortíssimos argumentos, o autor reforça a segurança que temos ao nos rendermos a Cristo como nosso Senhor, reconhecendo ser Ele o Filho de Deus, nosso Salvador. Ele utiliza de três ilustrações para descrever a segurança inabalável na promessa de Deus: 1) o refúgio da esperança; 2) a âncora da alma; e 3) o precursor divino.

1) Em Jesus encontramos o verdadeiro refúgio, quando corremos para Ele, ficando livre da morte e do poder do pecado. Em Jesus encontramos a verdadeira inabalável segurança para seguirmos firmes no caminho de luz.

2) Em Jesus lançamos nossa âncora, onde para a nossa alma é assegurada a salvação. Nossa esperança não está na inexistência de problemas, situações difíceis, aflições e tribulações. Não estamos vivendo numa redoma onde nada nos atinge, pois a vida, especialmente a vida cristã autêntica, passará por provas inimagináveis, pela oposição e possível perseguição dos homens. Porém, o que mantém o cristão fiel em meio a todo esse turbilhão de coisas é a âncora lançada, não na profundeza dos oceanos, mas no céu onde Jesus está.

3) Em Jesus, temos o precursor, aquele que vai a frente, como um batedor, uma guarda poderosa, invencível e avançada de um exército. Jesus vai adiante, antecipa e precede nossa entrada no reino celestial. Ele rasgou o véu da separação e nos deu acesso ao santo dos santos, fazendo de nós um sacerdócio real e uma nação santa (1 Pedro 2:9). Ele é sacerdote para sempre; Ele é nosso sumo sacerdote, que intercede junto a Pai por nós. Ele é o supremo pastor de nossas almas, guiando, cuidando e protegendo na peregrinação rumo ao céu e a morada celestial.

Em Jesus, nosso precursor, temos assegurada a promessa de Deus, que é imutável e inabalável. Em Jesus, participamos e desfrutamos de coisas melhores pertencentes a salvação. Em Jesus, independente do que passarmos nesta vida, a âncora da nossa alma está lançada e firmada onde Ele vive, no céu, para onde nós iremos na fidelidade, persistência e progresso na fé.

Louvado seja Deus nas maiores alturas.