O evangelho: derrubando sofismas

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Atos 85 Filipe, descendo à cidade de Samaria, anunciava-lhes a Cristo. 6 As multidões atendiam, unânimes, às coisas que Filipe dizia, ouvindo-as e vendo os sinais que ele operava. 7 Pois os espíritos imundos de muitos possessos saíam gritando em alta voz; e muitos paralíticos e coxos foram curados. 8 E houve grande alegria naquela cidade.” (Atos 8:5-8)

– Logo após a morte de Estevão houve grande perseguição a igreja em Jerusalém dispersando os discípulos para as regiões da Judéia e Samaria, exceto os apóstolos. Saulo continuava seu serviço assolando a igreja, levando ao cárcere os discípulos de Cristo. A perseguição ao invés de desmotivar a igreja, motivava ainda mais a pregação da palavra de Deus (cf. Atos 8:1-4). Filipe estava entre aqueles que foram dispersos; ele era um daqueles sete homens que serviram as viúvas em Atos 6. Na região samaritana pregou-lhes a Cristo, tendo uma enorme aceitação entre os habitantes da cidade, sendo testemunhas de seus grandes feitos. A alegria tomou conta do lugar, com o poder da palavra pregada e os milagres realizados por Filipe, libertando possessos, paralíticos e coxos de suas enfermidades. Hoje muitos andam a procura destes mesmos milagres abarrotando cultos religiosos mostrando desconhecimento dos reais motivos em que eles eram realizados. A verdade que os milagres eram para comprovar o poder de Deus. Os apóstolos e a quem eles impunham as mãos realizavam estes sinais (os apóstolos receberam poder através do Espírito Santo – Atos 1:8; 6:5-8). Os milagres eram para comprovar que sua mensagem vinha de Deus (João 20:30,31). Com o tempo os dons miraculosos deixariam de existir, principalmente com a chegada do “perfeito”, a revelação completa de Deus, sua palavra, que estava sendo escrita (1 Coríntios 13:8-12).

9 Ora, havia certo homem, chamado Simão, que ali praticava a mágica, iludindo o povo de Samaria, insinuando ser ele grande vulto; 10 ao qual todos davam ouvidos, do menor ao maior, dizendo: Este homem é o poder de Deus, chamado o Grande Poder. 11 Aderiam a ele porque havia muito os iludira com mágicas.” (Atos 8:9-11)

– Em meio à pregação da palavra de Deus e a manifestação do Espírito Santo em Samaria, um mágico chamava a atenção para si com seus feitos. Conforme a palavra, ele iludia o povo com suas mágicas, e os habitantes atribuíam a ele o poder de Deus. Um povo que desconhece a verdade é facilmente enganado, principalmente por aqueles onde há grande habilidade, especificamente aqui, os dotados de artes mágicas. Na Antiga Aliança Deus condenou esta e outras praticas, considerando-as abomináveis (Deuteronômio 18:9-14). Sendo que Deus continua o mesmo, com certeza Ele continua condenando a mágica, pois ela ilude, nela não há verdade e não tem o poder de Deus (Tiago 1:17; Hebreus 13:8). Hoje muitos aplaudem e se aderem aos mágicos, entre estes cristãos, que desconhecendo a palavra de Deus, são igualmente iludidos por tais manifestações.

12 Quando, porém, deram crédito a Filipe, que os evangelizava a respeito do reino de Deus e do nome de Jesus Cristo, iam sendo batizados, assim homens como mulheres. 13 O próprio Simão abraçou a fé; e, tendo sido batizado, acompanhava a Filipe de perto, observando extasiado os sinais e grandes milagres praticados.” (Atos 8:12,13)

– Filipe prosseguiu com seu propósito de evangelizar a cidade de Samaria, e o mesmo povo que antes era iludido pelas artes mágicas de Simão, agora eram esclarecidos pelo poder da palavra de Deus, e como resultado se entregavam a Cristo pelo batismo. O mágico também acabou se rendendo a Cristo e o poder da palavra de Deus pregada por Filipe. Simão, que dantes iludia o povo com suas mágicas, agora ficara maravilhado com os feitos de Filipe através do poder do Espírito Santo. Muitos podem ser iludidos pelas mágicas, pelos feitos – ditos miraculosos – executados pelos curandeiros de plantão e ou pelas doutrinas atraentes pregadas pelos profetas ocasionais, mas quem de fato conhece a Deus, a sua vontade e a sua palavra não se deixa iludir por estes sofismas. Muito pelo contrário, o discípulo de Cristo é instruído na sabedoria de Deus para andar em acordo com sua soberana vontade (Tiago 3:17).

14 Ouvindo os apóstolos, que estavam em Jerusalém, que Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram-lhe Pedro e João; 15 os quais, descendo para lá, oraram por eles para que recebessem o Espírito Santo; 16 porquanto não havia ainda descido sobre nenhum deles, mas somente haviam sido batizados em o nome do Senhor Jesus. 17 Então, lhes impunham as mãos, e recebiam estes o Espírito Santo.” (Atos 8:14-17)

– A notícia da grande evangelização realizada por Filipe em Samaria chegou até os apóstolos em Jerusalém. Logo eles trataram de enviar Pedro e João para que os convertidos recebessem o Espírito Santo, já que os gentios ainda não haviam sido inseridos no plano redenção, que até aquele momento só os judeus participavam (Atos 2:36-39). Os gentios mais adiante receberiam também este batismo – com o dom do Espírito Santo (cf. Atos 10), completando e abrindo a porta da redenção para todos os povos (judeus e gentios).

18 Vendo, porém, Simão que, pelo fato de imporem os apóstolos as mãos, era concedido o Espírito [Santo], ofereceu-lhes dinheiro, 19 propondo: Concedei-me também a mim este poder, para que aquele sobre quem eu impuser as mãos receba o Espírito Santo. 20 Pedro, porém, lhe respondeu: O teu dinheiro seja contigo para perdição, pois julgaste adquirir, por meio dele, o dom de Deus. 21 Não tens parte nem sorte neste ministério, porque o teu coração não é reto diante de Deus. 22 Arrepende-te, pois, da tua maldade e roga ao Senhor; talvez te seja perdoado o intento do coração; 23 pois vejo que estás em fel de amargura e laço de iniqüidade.” (Atos 8:18-23)

– Simão parece não ter entendido o que lhe acontecera. Ao testemunhar a imposição de mãos pelos apóstolos sobre os batizados em Cristo Jesus para receberem o dom do Espírito Santo, que foram evangelizados por Filipe, o ex-mágico quis comprar este poder. E não entendera mesmo, pois o poder concedido por Deus aos apóstolos não era, não é e nunca será comercializado, mas era para conceder o dom do Espírito Santo, ou seja, a presença dele na vida do convertido a Cristo. Receber o dom do Espírito Santo é receber o selo, é ser selado pelo Espírito de Deus, onde a pessoa passa a ser somente dEle e no final ser reconhecido no dia redenção (Efésios 4:30). O apóstolo Pedro logo tratou de mostrar a Simão seu erro em pensar que podia adquirir tal poder por meio de dinheiro. Nada de Deus é adquirido assim; com Deus tudo é concedido por sua graça e a quem lhe aprouver (Romanos 9:14-16). Quem quer comprar um lugar no céu, não passará nem na porta. Pelas suas atitudes, Simão mostrava que amava o dinheiro, e quem ama o dinheiro acaba sendo arruinado por ele (1 Timóteo 6:10). Pedro disse que para fazer parte do ministério (serviço a Deus) é preciso ter um coração reto diante dEle, algo que Simão – até aquele momento – não tinha. Com palavras duras, Pedro repreendeu o ex-mágico mostrando que ele precisava arrepender-se de seus pecados. Não adianta ser batizado se não estamos arrependidos de nossas transgressões. Aparentemente Simão não se arrependera, pois continuava pensando em iludir o povo, comprando e vendendo poder.

24 Respondendo, porém, Simão lhes pediu: Rogai vós por mim ao Senhor, para que nada do que dissestes sobrevenha a mim. 25 Eles, porém, havendo testificado e falado a palavra do Senhor, voltaram para Jerusalém e evangelizavam muitas aldeias dos samaritanos.” (Atos 8:24,25)

– Depois de ouvir a dura repreensão do apóstolo Pedro, Simão suplicou pela misericórdia de Deus, mas o texto não mostra o que se sucedeu, nem mesmo se o ex-mágico estava de fato arrependido. Devemos sempre lembrar que arrependimento é diferente de remorso. O arrependimento produz mudança sincera e verdadeira, enquanto que o remorso traz apenas a dor de algo feito erroneamente; passado o tempo, nada muda, continuando nos mesmos erros. A exemplo podemos citar dois casos: o primeiro de remorso, o segundo de arrependimento. Judas ao trair Jesus, entristeceu-se pelo que fez, mas não foi o bastante, pois tirou sua própria vida ao invés de suplicar o perdão de Deus. Pedro ao negar Jesus por três vezes – como predito pelo Senhor – entristeceu amargamente, porém buscou o perdão de Deus e se tornou um dos apóstolos destacados na propagação do evangelho. Após o episódio em Samaria, os apóstolos continuaram exercendo o ministério pelo qual foram chamados, evangelizando a circunvizinhança no retorno a Jerusalém.

18 Muitos dos que creram vieram confessando e denunciando publicamente as suas próprias obras. 19 Também muitos dos que haviam praticado artes mágicas, reunindo os seus livros, os queimaram diante de todos. Calculados os seus preços, achou-se que montavam a cinqüenta mil denários. 20 Assim, a palavra do Senhor crescia e prevalecia poderosamente.” (Atos 19:18-20)

– Finalizando, agora em outra ocasião, já com Paulo sendo poderosamente usado por Deus na realização de grandes feitos miraculosos na região de Éfeso, judeus e gentios habitantes dali creram em Jesus e compartilhavam da alegria na participação desta grande obra de Deus. Como Simão em Samaria no capítulo 8, havia em Éfeso também muitas pessoas que praticavam mágicas, iludindo o povo, mas estes ao ouvirem o evangelho tomaram uma atitude convicta, baseada em sua nova fé, demonstrado de forma pratica seu arrependimento: queimaram todos os seus livros de magia perante os habitantes dali. O valor dos livros queimados era altíssimo – cinquenta mil denários, lembrando que o denário era uma moeda romana de prata, que equivalia o pagamento por um dia de trabalho. Os mágicos aqui ouviram o evangelho e queimaram o que julgaram não ter valor algum. O evangelho é valoroso demais para ser dividido com qualquer outra obra ou coisa neste mundo, principalmente algo que iluda e engane as pessoas. Se não jogamos fora aquilo que dávamos valor antes de conhecermos a Cristo, não conseguiremos servir-lhe como convém. Paulo tratou como refugo tudo o que ele tinha ou era perante a sociedade judaica por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus seu Senhor (Filipenses 3:4-11). Os mágicos queimaram seus livros, hoje muitos os aplaudem.

E nós, como tem sido ou como é a nossa atitude perante o evangelho e perante aqueles que iludem e enganam o povo, seja por magias, seja por palavra? Que a nossa posição seja a mesma dos apóstolos que na oportunidade que tiveram não deixaram de dar testemunho da verdade – a palavra de Deus. Que a nossa atitude seja como a dos mágicos em Éfeso, que diferentemente de Simão, refugaram por completo suas vidas e suas obras realizadas antes de conhecer a Cristo ao se entregar a Ele. A sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus é tudo que precisamos em nossas vidas. Se ainda o dividimos com algo neste mundo, principalmente as coisas reprovadas por Deus, ainda não entendemos o que somos, o que fizemos em nosso batismo e o que devemos fazer, assim como Simão, a princípio, não soube.

Deus nos conceda sempre sua graça e sua misericórdia, para alcançarmos cada vez mais o conhecimento e a compreensão de sua soberana vontade. Que na consagração de nossas vidas a Cristo, Deus seja glorificado por um testemunho exemplar e uma alegria inigualável de pertencermos e fazermos parte da obra redentora de Deus. Louvado seja o Senhor por isso.

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Um comentário em “O evangelho: derrubando sofismas

    Angelo disse:
    7 março, 2015 às 22:17

    O que vemos hoje é desanimador, pois numa época em que si alimenta a ideia do reconhecimento pelo que se possui ficamos cada dia escravizados pelo consumismo. E tendo que ter pra ser.

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